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A direita e as presidenciais

18 10
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É verdade que ao longo de muitos anos já me chamaram de tudo. Fascista, direita fofinha, direita de que a esquerda gosta, woke, esquerdalho, até André Ventura para aí há uns anos achou por bem anunciar ao mundo que eu era um daqueles que está sempre do lado dos bandidos. Sinto-me, portanto, apto a lidar com rotulagem, até porque tenho uma grande dificuldade em colocar um rótulo a mim próprio. Talvez por isso, e a propósito do que está em jogo no próximo domingo, sinta que é mais fácil elencar uma boa dose de princípios e valores que me conduziram a uma determinada opção num acto da natureza da eleição para a presidência da República.

Valorizo o Estado como continuidade histórica, como símbolo de unidade e estrutura institucional que está acima das estruturas partidárias. Procuro, por isso, um presidente com cultura de Estado, que não pretende instrumentalizar a presidência nem servir interesses partidários ou ideológicos. Desprezo quaisquer formas de estatismo e colectivismo, sei que somos o produto das nossas escolhas, mas também sei que não somos só o que escolhemos. Valorizo a moderação como virtude cívica aliada à firmeza de princípios. Gosto de líderes determinados, e não de líderes que, falando alto e esbracejando, hesitam constantemente e mudam de ideias a cada sensação. Aprecio líderes políticos que sabem que a autoridade decorre do exemplo e da responsabilidade e não do ruído. Valorizo o amor ao país como um dever discreto e constante, não como um slogan ou um trunfo. Tenho reservas sobre engenharias sociais e ideologias........

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