Os inimigos de Luís Neves
Circula por aí uma tese peregrina, alimentada sobretudo a partir do universo socialista, e verbalizada por pessoas que deviam ter mais juízo, que se pode resumir numa ideia: os alegados pecadilhos de Luís Neves estão a ser plantados na comunicação social por gente do ou próxima do Chega; logo, o ministro da Administração Interna não pode ser criticado ou sequer escrutinado porque isso seria fazer um enorme favor ao Chega. Era mesmo o que nos faltava. A esquerda vive há tantos anos obcecada com o Chega que perdeu o norte.
Foi isso que sugeriram figuras como Fernando Medina e Eurico Brilhante Dias, que se agarram, no fundo, a uma ideia bastante primária — ‘o inimigo do meu inimigo é meu amigo’. Ora, vão pensando (e dizendo) muitos socialistas: ‘Luís Neves é inimigo de André Ventura, opõe-se à agenda política do Chega (e da “extrema direita que vive dentro do PSD”), perseguiu e deteve gente muito pouco recomendável que orbita em torno do Chega, logo devemos proteger Luís Neves, porque, poupando-o, preservamos um aliado forte nessa luta contra o Chega’.
Importa explicar o circuito normal deste tipo de casos: uma fonte, movida por um ou mais interesses, benignos ou malignos, contacta um jornalista ou determinado órgão de comunicação social com uma denúncia; um ou mais jornalistas investigam a denúncia, avaliam o caso e fazem o devido contraditório; havendo fundamento, a denúncia transforma-se em notícia; dependendo ou não do interesse do tema, existe uma corrida por outros ângulos e, não raras vezes, a descoberta de novas informações relevantes, transformando um caso aparentemente isolado num carrossel de embaraços para o envolvido.
É assim que acontece desde tempos imemoriais e é assim que continuará a acontecer enquanto existir jornalismo e jornalismo de investigação. Foi isso que........
