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Por favor, ponham Montenegro a falar com Cavaco Silva

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14.03.2026

Esta semana, Luís Montenegro encheu o peito, tirou a espada do baú onde guarda a roupa velha e, com aquela coragem que é permitida pelos exercícios puramente retóricos, decidiu exibir o seu — suposto, alegado, presumido — “reformismo”. Gabou-se: “Reformismo de boca têm muitos, mas reformismo da ação, de crescimento, de ambição e de transformação não é para todos.”

De facto, “não é para todos”. Por isso mesmo, Luís Montenegro devia aprender a distinguir entre este autocontentamento hiperbólico e o verdadeiro reformismo. Se por acaso tiver dificuldades nesse exercício (e suspeito que terá), pode sempre pedir ajuda a Cavaco Silva — os dois, como se sabe, dão-se bem. O ex-primeiro-ministro teria certamente gosto em explicar-lhe que, quando tomou posse a 6 de novembro de 1985, levava no bolso uma lista completa de reformas. Não era uma, nem eram duas, nem sequer eram três — eram muitas.

Havia, por exemplo, o problema cómico e trágico da comunicação social. Cavaco Silva lembra num dos seus livros que, quando chegou ao poder, “a presença do Estado em quase todos os domínios da sociedade e da economia era ainda........

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