Passos sabe o que quer. E nós sabemos o que ele quer
Nos anos 50, Ronald Reagan andava a fazer política sem saber. Na altura, ele era apenas um ator de segunda linha de Hollywood. Não tinha o talento de Marlon Brando, nem a fama de James Dean, nem o carisma de Humphrey Bogart — mas entrou em mais de 50 filmes e até saiu de um deles com a alcunha “Gipper” (por causa da personagem George Gipp, um jogador de futebol americano conhecido pela frase “Vençam esta pelo Gipper”), que o acompanhou quando muito mais tarde ganhou a primeira eleição presidencial. A dada altura, uma das maiores empresas dos Estados Unidos, a General Electric, contratou-o como “embaixador” da marca. Não era um título honorífico: Reagan precisou de andar por vilas, cidades e metrópoles no país inteiro a visitar fábricas da General Electric, a falar com trabalhadores e gestores e a fazer discursos.
Os biógrafos de Reagan explicaram como é que ele conseguia cativar as audiências. Quando chegava às fábricas, dirigia-se primeiro às mulheres, que se entusiasmavam com a possibilidade de conhecerem um galã do cinema e ouviam avidamente pequenas histórias divertidas sobre a vida em Hollywood. Depois, ia ter com os homens e falava com eles como se estivessem todos num bar a beber uma cerveja. Um dos executivos da General Electric contou aquilo que viu: “Ele era o homem mais inventivo com uma anedota picante que alguma vez conheci. Conseguia limpar histórias obscenas e torná-las apropriadas até para uma freira idosa… A piada ficava mais engraçada do que a original e era impossível........
