CDS-PP: o terceiro Dupond?
Durante anos, o CDS – Partido Popular construiu parte da sua identidade política a denunciar a semelhança entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, apresentados como os “Dupond e Dupont” do regime. A crítica assentava na ideia de um centrão cúmplice, responsável por décadas de bloqueio, dívida e ausência de verdadeiras reformas. Ironicamente, hoje, ao alinhar repetidamente com o PSD e ao diluir-se em entendimentos e soluções de coligação, não se terá tornado ele próprio o terceiro elemento desse dueto: o terceiro “Dupont” de uma política que pretendia que fosse diferente?
Um partido sem identidade
Aproximando-se o 32.º Congresso, o CDS-PP tem hoje de perguntar-se: O que representa? Quem representa? Que proposta de País tem? Que políticas públicas defende? O que mobiliza hoje os eleitores a darem-lhe a sua confiança e o seu voto?
Por muito que custe aos Congressistas e aos militantes e simpatizantes do partido, as respostas não são animadoras. Arrisco-me a dizer que não são muito diferentes de um conjunto vazio. Pois o CDS-PP deixou, há muito, de ter uma ideia de Portugal nem mesmo uma ideia que seja para Portugal.
Um partido que parece ter desistido de ter convicções em troca de ter acesso ao poder, mas que, quando lá chega, não sabe o que fazer com ele. Não tem consciência do espaço que ocupa e que voz adoptar. O antigo complexo de culpa de ser........
