Os três blocos ou uma procissão de impotências
Ainda há poucos dias, na Assembleia da República, o Primeiro Ministro fez questão de dizer à nação como vê a situação política actual. Repetindo uma habitual saída retórica do Governo, Montenegro dividiu a política portuguesa em três “espaços” ou “blocos”: o da “esquerda”, o da “direita” e o “central”, sendo este o do PSD/Governo. À partida, a declaração é inofensiva e imune a comentários. Se são apenas factos, o que há a acrescentar? Acontece por vezes que há descrições que escondem prescrições tácitas para a acção.
Por um lado, a simples constatação aparece agora como uma resignação. Nesta formulação, a política portuguesa divide-se em três partes todas separadas entre elas, e sem que uma se intrometa na esfera que cabe à outra. Sugere rigidez no apoio político da sociedade a cada bloco e fronteiras gravadas na pedra. Da parte do governo, ajuda a justificar por que é que negoceia medida a medida, ora com a “esquerda”, ora com a “direita”, sem necessidade de entendimentos duradouros com “blocos” estranhos ao seu, com cada “espaço” no seu........
