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Aos 21, o problema não é querer independência, mas pagá-la 

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31.01.2026

Tenho 21 anos. Como muitos da minha geração, estudei, segui o percurso que me disseram ser o certo e preparo-me para entrar no mercado de trabalho. Em teoria, esta deveria ser a fase em que começo a construir a minha independência. Na prática, sair de casa dos meus pais não é um plano de vida. É um luxo.

A conversa repete-se entre amigos, colegas de curso ou de trabalho: quartos a 400 ou 500 euros, rendas que ultrapassam facilmente metade de um salário, anúncios que exigem fiadores, cauções impossíveis e rendimentos que poucos jovens têm no início da vida profissional. Não se trata de escolher mal ou procurar pouco. Trata-se de um mercado que simplesmente não foi feito para quem começa.

Existe uma narrativa confortável que insiste em explicar este fenómeno como falta de ambição, excesso de comodismo ou dependência prolongada da família. Mas essa leitura ignora um facto essencial: muitos jovens ambicionam sair de casa. Trabalham para isso.........

© Observador