Um modus operandi singular (e um grande artista)
1 Na tempestade mais obsessiva do que perfeita que se tem abatido sobre o governo, ocorreu-me um exercício inocente: abra-se por momentos um entre parêntesis e ponha-se lá dentro Montenegro&governo&AD&CDS. A seguir esqueça-se a tropa de Ventura e o próprio ruidoso Ventura, mantenha-se na penumbra o amontoado de extremas esquerdas e depois olhe-se só, só, para José Luís Carneiro. Não digo para o PS – em mais um dos “episódios” da sua novela de péssimos comportamentos mas recusando que “aquilo” seja com ele – porque era difícil saber de que PS se falaria, havendo mais do que um em curso. Atente-se só no líder actual, revejam-se estes seus embaraçantes meses de responsável-mor e a pergunta irrompe com verosimilhança: alguém o antecipa em S. Bento? A escolher, decidir, corrigir, mandar, desagradar, transmitir autoridade, exercê-la… governando?
As recentes (e aliás irrisórias) sondagens conhecidas são de borla: não haverá eleições tão cedo, até podem ser um entretenimento (se não forem uma mistificação).
2 O exercício ocorreu-me ao ver o mesmíssimo José Luís Carneiro impresso num cartaz azul-céu a pedir “confiança” aos portugueses. Hesita-se entre uma súbita amnésia de quem escolheu o fatal substantivo e uma atroadora impreparação política.
3 O meu espanto com a desadequada palavra não se deve à inapagável memória dos oito anos mais inférteis da política portuguesa recente. A surpresa brotou simplesmente da observação da liderança de José Luís Carneiro que o jovial cartaz inteiramente ilude et pour cause.
Que transmitiu ele até hoje ao país de ambicioso, mobilizador, desafiador, promissor? Que destino quer para Portugal? E já agora que sinal de “pertença” quis dar aos seus, quando — por exemplo — escolheu a Venezuela como primeira viagem internacional, acabando a bater a........
