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Na contra mão dos dias

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04.03.2026

1 Guerra e despedidas, estranha aliança. estranhos dias. Ver para descrer. Mas também estranhamente, o ar do tempo está tingido de uma fina melancolia: a certeza que já tínhamos mas que agora galopa, de que o mundo – o “nosso” – se pulverizou; a traição de regras e comportamentos; o fim deste ciclo político português e o complexíssimo começo de outro. E até a despedida de algumas pessoas que quase silenciosamente nos deixaram.

Alguns chamarão a isto nostalgia e eu que não sou nostálgica – teria submergido se o fosse – hoje também chamo. Não que o passado tenha a última palavra — não se lhe pode consentir isso — mas há momentos em que ele volta sem pré aviso e de mansinho, ou irrompe com estrondo e decisão. E eis-nos desprevenidamente com um pé no desconcertado solo de hoje, e outro, na ilusão da imutabilidade do chão de ontem. Tentando esse “delicate balance” de que falava Albee.

2 Devia naturalmente escrever sobre o Direito Internacional, o futuro do Irão, o desnorteio alucinado de Trump, o puzzle do Médio Oriente, as Lages. Isso. Sucede que não me foi compatível com o ter passado os últimos dias num chão de “ontens”; o do mundo que era o meu; o do sublime Ingmar Bergman que revejo no Nimas, sempre com a coração a doer-me; o de Tchekhov e da sua desamparada “Gaivota” que agora pousou no Trindade; o........

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