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“Não se podem deixar passar as coisas”

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22.07.2026

1 Apropriei-me desta frase de Marcello Mathias que li no seu íltimo livro (já lá vou) por ter notado como algumas “coisas” são deixadas passar sem interesse ou curiosidade talvez por não terem os favores do espaço público ou o combustível dos écrans. É certo que – para alem do Mundial, claro – o galope mediático tem estado vorazmente focado em dois ministros sob fogo. Sem surpresa. A sombra vende mais que o sol mesmo que com razão. Vende sempre, com ou sem ela(embora aqui seja obrigatório distinguir entre a natureza de um fogo e a do outro. Parece que só a media não deu por isso.)

2 Julho já quase termina e o Verão é uma questão séria. Parece leve ou leviano, não é. Ruy Belo esperava pelo verão “como por outra vida e chamava-lhe “ a única estação. “ Ele sabia que era. No verão o tempo dá tempo ao tempo e que outra estação tem este poder? Tudo se amplia e amplifica como com as boas lentes e percebemos melhor que não podemos “deixar passar as coisas”. Lembro-me de algumas que não beneficiaram do oxigénio do ar do tempo- terão sido provavelmente mencionadas ou noticiadas o que não é de todo o mesmo que contadas. Gostava de delas deixar registo, são lembranças que ficaram em relevo e, quem sabe?, podem interessar alguns leitores.

3 Marcello Mathias é um diplomata-“doublée” de escritor que ama as palavras e talvez por as amar como devem ser amadas, sabe muito bem o que fazer com elas. Acaba de sair (D. Quixote) o seu último livro – “Intervalo” (Diários) e “A Memória dos Outros III” (ensaios e crónicas)

Trata-se de uma talentosa síntese entre........

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