A escola não é uma fábrica de identidades
O primeiro-ministro prometeu “retirar as amarras ideológicas do ensino”. A Lei 38/2018 — a da autodeterminação de género — foi aprovada na generalidade para revogação. Supostamente, a disciplina de Cidadania foi revista. No papel, o recuo existe. Na prática, nas salas de aula, nos workshops, nos guias e nas visitas de associações, a máquina continua a funcionar como se nada tivesse mudado.
A denúncia, sustentada com nomes de escolas, datas e materiais concretos, é feita pela jornalista Marisa Antunes naquele que se tornou o único espaço onde ainda o pode fazer em liberdade: a sua conta de LinkedIn . Não é uma abstracção. É Alcobaça, Paços de Ferreira, Espinho, Setúbal, Valongo, Porto, Miranda do Douro. É também o sector privado a alimentar a engrenagem, como a jornalista aponta ao expor que o “Instituto CRIAP continua a sua saga de disseminar acções de formação sobre ‘identidade de género’ — um conceito cunhado por John Money, o controverso psicólogo cujas teses sustentam a lei da autodeterminação de género”. É uma aula dada por um elemento da direcção da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. É um grupo performativo de pessoas trans a falar do “processo de transição” a crianças a partir dos seis anos. É a pedopsiquiatra Ana Teresa Prata em Setúbal. É o padrão: a escola abre as portas, o Estado ou o município paga ou endossa, e o conteúdo entra disfarçado de inclusão, cidadania ou “ciência”.
Enquanto isso, circula o Guião de Boas Práticas para a Promoção dos Direitos e Protecção de Crianças e Jovens LGBTI , da Casa Qui em parceria com a CNPDPCJ e com financiamento da CIG. A segunda edição viu a luz do dia em 2025 — note-se: já durante o mandato do executivo PSD/CDS-PP —, acolhida nas instalações de um ministério, contradizendo frontalmente a promessa de desamarrar o ensino da ideologia. No documento, a família deixa de ser o primeiro responsável e passa a ser tratada como um potencial obstáculo: não revelar a “identidade de género” da criança aos pais sem autorização da própria criança.
O passo seguinte é a pressão via CPCJ. Os pais que resistem tornam-se o problema. A escola e a associação tornam-se o santuário. Isto não é “respeito”. É captura institucional de menores.
Os conceitos que vendem como ciência e........
