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Entre o altar, a espada e o alarido no hemiciclo

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01.03.2026

“Porque nós temos justa querela e razão para defender nossa terra, crendo que Deus é justo juiz, cheguemos a Ele que nos ajude, e se assim fizermos, tendo firme esperança em Deus, poucos de nós vencerão muitos.” – D. Nuno Álvares Pereira

À primeira vista, os mundos da Igreja e das Forças Armadas parecem estar em extremos opostos. Num, prega-se a paz, a tolerância e o amor ao próximo, no outro, preparam-se os homens para o uso da força e para a guerra. Contudo, quando olhamos com atenção, quando observamos para lá do que se vê, o ADN destas duas instituições milenares partilha uma semelhança inegável. Ambas assentam os seus alicerces em pilares que o mundo moderno insiste (ou parece insistir) em desvalorizar: a hierarquia, a disciplina, a ordem e o ritual.

No seu cerne, as hierarquias militares e eclesiásticas espelham-se de forma fascinante. Numa, a rigorosa cadeia de comando vai do recruta ao general, na outra, estende-se do seminarista ao bispo e ao Papa. Ambas exigem obediência à linha hierárquica, não por subserviência cega, mas por um entendimento profundo de que a ordem vertical é o que impede o caos. Há um respeito intrínseco pela patente e pelo sacramento, em que as promoções e as ordenações marcam etapas de maior sacrifício e de maior responsabilidade perante o colectivo, não sendo meros degraus para alimentar a vaidade pessoal. Tanto o militar como o religioso abdicam do seu “eu” em prol de uma missão maior, a salvação do País, e a salvação da Alma,........

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