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O galo de Barcelos e o paradoxo diplomático de Portugal

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14.02.2026

Este artigo não defende que a República Portuguesa apoie a independência de regiões no Reino de Espanha nem que venha a considerar entidades políticas separadas.

O que este artigo defende é que a República Portuguesa colabore diretamente com os governos das comunidades autónomas espanholas, que são os verdadeiros intervenientes políticos e legislativos. Tal trará benefícios económicos concretos aos empresários portugueses e criará relações bilaterais mais eficazes.

O que a República Portuguesa precisa de fazer é reconhecer a Constituição Espanhola de 1978 e trabalhar com a estrutura das 17 comunidades autónomas estabelecidas democraticamente pelo Reino de Espanha.

A verdadeira história do peregrino galego

Existe uma lenda medieval que deveria fazer os políticos portugueses refletir. É a história do Galo de Barcelos.

A lenda conta que um peregrino a caminho de Santiago de Compostela chegou a Barcelos e foi injustamente acusado de roubo. No entanto, há um pormenor crucial que muda tudo: o peregrino era galego, da Galiza.

Para o povo português, isso tinha um significado muito específico. Os galegos falam uma língua muito semelhante ao português medieval. Historicamente, a Galiza e Portugal estiveram unidos. Para o cidadão português comum, um galego era visto como um “irmão”, alguém com quem se partilhavam a língua, a cultura, a fé católica e a reputação de honestidade. Os galegos em Portugal têm, e sempre tiveram, a reputação de serem pessoas honestas, trabalhadoras e merecedoras de confiança.

O povo português não acreditava que aquele galego fosse um ladrão. A lógica popular era simples: os galegos não roubam.

No entanto, para as autoridades portuguesas, a situação era totalmente diferente.

Para a lei, para o juiz e para as autoridades de Barcelos, aquele peregrino era um “espanhol”. Vinha de Espanha. E os espanhóis eram inimigos tradicionais. A desconfiança institucional era automática. Quando ocorreu um roubo, a escolha foi fácil: culpar o estrangeiro. Culpar o........

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