O galo de Barcelos e o paradoxo diplomático de Portugal
Este artigo não defende que a República Portuguesa apoie a independência de regiões no Reino de Espanha nem que venha a considerar entidades políticas separadas.
O que este artigo defende é que a República Portuguesa colabore diretamente com os governos das comunidades autónomas espanholas, que são os verdadeiros intervenientes políticos e legislativos. Tal trará benefícios económicos concretos aos empresários portugueses e criará relações bilaterais mais eficazes.
O que a República Portuguesa precisa de fazer é reconhecer a Constituição Espanhola de 1978 e trabalhar com a estrutura das 17 comunidades autónomas estabelecidas democraticamente pelo Reino de Espanha.
A verdadeira história do peregrino galego
Existe uma lenda medieval que deveria fazer os políticos portugueses refletir. É a história do Galo de Barcelos.
A lenda conta que um peregrino a caminho de Santiago de Compostela chegou a Barcelos e foi injustamente acusado de roubo. No entanto, há um pormenor crucial que muda tudo: o peregrino era galego, da Galiza.
Para o povo português, isso tinha um significado muito específico. Os galegos falam uma língua muito semelhante ao português medieval. Historicamente, a Galiza e Portugal estiveram unidos. Para o cidadão português comum, um galego era visto como um “irmão”, alguém com quem se partilhavam a língua, a cultura, a fé católica e a reputação de honestidade. Os galegos em Portugal têm, e sempre tiveram, a reputação de serem pessoas honestas, trabalhadoras e merecedoras de confiança.
O povo português não acreditava que aquele galego fosse um ladrão. A lógica popular era simples: os galegos não roubam.
No entanto, para as autoridades portuguesas, a situação era totalmente diferente.
Para a lei, para o juiz e para as autoridades de Barcelos, aquele peregrino era um “espanhol”. Vinha de Espanha. E os espanhóis eram inimigos tradicionais. A desconfiança institucional era automática. Quando ocorreu um roubo, a escolha foi fácil: culpar o estrangeiro. Culpar o........
