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O comunismo e a (falta de) ética

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11.03.2026

1 Passadas tantas décadas e o que resta hoje da herança do comunismo que arregimentou gerações e alimentou as melhores esperanças? Nada ou quase nada.

A crítica económica e filosófica do comunismo está feita e mais que feita e nem vale a pena insistir aqui nisso. Mas o comunismo reivindica ainda certa vantagem moral. Ora, bem vistas as coisas, é este o seu ponto mais fraco.

Durante algum tempo li mas não dei importância à crítica ética e antropológica do comunismo. Confesso agora que fiz mal. Mas pensava nessa altura que o comunismo devia ser derrotado no plano económico e filosófico e as outras críticas cheiravam-me a palavreado eclesiástico e moralista.

Na verdade, a concepção comunista do homem é disforme. O homem é visto sempre como um resultado das condições económicas e sociais em que vive e não como a fonte delas. Mesmo quando Marx nos diz e por palavras suas que no comunismo, finalmente atingido, o homem depois de trabalhar umas horas em prol do bem comum pode ocupar o resto da manhã a pescar e a tarde a caçar, se assim é, é porque pode fazê-lo pois que o sistema económico e social lho permite, não porque quis livremente fazê-lo, arrostando com todas as consequências daí resultantes.

A liberdade é um conceito desconhecido para Marx. A liberdade de escolher, mal ou bem, mas de escolher. Para Marx a liberdade é sempre um produto condicionado de uma realidade anterior que transcende o homem e que lhe impõe determinada conduta. Não existe verdadeira liberdade; só há condicionamentos. O homem é sempre um resultado.

A ética não existe como valor autónomo. É sempre uma resposta situada e comprometida. Não redime o homem,........

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