Palácio da Independência: “Passa por mim no Rossio”
Como repito desde que acabadas as obras de reabilitação do Palácio da Independência, “Está o palácio mais bonito que alguma vez o vi”. Parece que nos chama para o visitarmos: “Passa por mim no Rossio!” – mais exactamente, no Largo de S. Domingos.
O Palácio da Independência é um edifício de extraordinária importância nacional. Aí se realizaram reuniões dos conjurados de 1640, preparando o 1.º de Dezembro, que afastou Filipe III, o último de três reis castelhanos. Resume a Infopédia: “Na manhã de 1 de dezembro, inúmeros fidalgos introduziram-se no Paço Real, ocultando as armas sob as roupas, e, por volta das nove horas, a um sinal de D. Miguel de Almeida, assaltaram subitamente o palácio, derrubando tudo quanto se lhes tentou opor.”
Alguns terão saído do Palácio, manhã muito cedo, em direcção ao Paço da Ribeira, onde todos se juntaram para o golpe. Foi provavelmente o caso de D. Antão de Almada, o seu proprietário e um dos principais conjurados. O Palácio dos Almada é o centro memorial do 1.º de Dezembro, a revolução que prendeu e depôs a Vice-rainha castelhana (Duquesa de Mântua) e matou o secretário de Estado português (Miguel de Vasconcelos), detonando a revolta por todo o país e entregando o trono ao Duque de Bragança, aclamado D. João IV. Dias formidáveis!
A esses bravos devemos que a história de Portugal, livre e independente, não tivesse acabado em 1580, mas fosse retomada e continuasse nossa. Se, hoje, Portugal celebra 900 anos, devemo-lo aos conjurados e a quantos os seguiram. Sem eles, nem São Mamede, nem Ourique, nem Zamora, nem a bula Manifestis Probatum poderíamos comemorar, a não ser talvez num quarto fechado. E, mesmo assim, sem significado real, pois a nossa independência teria morrido – e morta continuaria. Correram enormes riscos. A guerra foi longa. A paz só seria estabelecida em 1668. Muitos não chegaram a vê-la. D. Antão de Almada morreu em 1644. D. Miguel de Almeida, em 1650. O rei D. João IV, em 1656.
Palácio dos Almada e Palácio da Independência
O Palácio começou a ser construído em 1467, por D. Fernando de Almada. Agregou edifícios contíguos e foi recebendo melhoramentos ao longo dos séculos. As últimas grandes obras foram em 1940, após a aquisição pela Fazenda Pública, pelo grande restauro do Arq.º Raúl Lino; e, em 2024/25, a reabilitação pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, com financiamento da Câmara Municipal de Lisboa, projecto da Arq.ª Mariana Pedroso e sua equipa e empreitada realizada pela ErgLiz. Encanta visitá-lo. “Está o palácio mais bonito que alguma vez o vi” – é mesmo assim, acreditem.
O conjunto monumental tem três elementos classificados: o Palácio da Independência em si mesmo; as Chaminés quinhentistas, muito semelhantes às do Paço Real de Sintra; e o troço da Muralha ou Cerca Fernandina (levantada em 1373/75), no fundo do jardim.
Na entrada, por cima do portão, estão as Armas dos Almada sobre a varanda central do andar nobre. Passando o portão, à esquerda, um nicho guarda uma linda imagem de Nossa Senhora da Conceição, a registar o gesto do Rei da Restauração, que, em 1646, nas Cortes, confiou Portugal à sua protecção, depositando-lhe a coroa real. No centro do pátio de entrada, recebe-nos o busto de D. João IV. E, à direita, construída em 1940, uma belíssima escadaria conduz a um terraço, rematado nos dois topos por duas portas manuelinas, que dão acesso directo ao primeiro andar. As duas chaminés quinhentistas, na vertical central da escadaria, compõem belíssimo enquadramento do conjunto.
Há outro pátio, ao nível do primeiro andar, com mais duas portas manuelinas, painéis de azulejos (com........
