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Jogos de fronteiras sem fronteiras

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28.02.2026

Não há dúvida que vivemos tempos interessantes, dinâmicos, extraordinários1, de mudança2 constante3, sem fronteiras. Ou, dito de outro modo, tempos em que até as fronteiras deixaram de funcionar como até há pouco se pensava que funcionavam e deviam funcionar, e parecem ter ganho novos significados e funções.

Minneapolis, MN: militantes4, homens com cabeça e cara tapada com panos pretos, que fazem lembrar burkas, só deixando uma fresta para os olhos,A guardam uma barricada numa rua de um pacífico bairro. Os carros e os pedestres são parados e revistados e, exceto para membros de certas etnias, é preciso mostrar a identificação pessoal para passar. Com que autoridade o fazem? A dos próprios. Com que objetivo? Protestar contra a existência de fronteiras, contra a sua fiscalização, e impedir a passagem de funcionários públicos da Immigration & Customs Enforcement, vulgo ICE5, um organismo do Ministério de Segurança Interna local (Department of Homeland Security). Um perfeito exemplo de como erguer fronteiras para combater fronteiras. Mas serão as fronteiras uma coisa má?

Até recentemente uma fronteira era uma linha imaginária entre duas nações, explicita ou implicitamente aceite por dois soberanos inconstantes e sempre temporários, que separava um conjunto de direitos e deveres fictícios de um lado dos direitos e deveres ilusórios do outro. Raramente havia nelas muros de tijolo, barreiras de ferro ou madeira, ou até linhas vermelhas6 pintadas no chão, embora se pudessem ocasionalmente ver portões e guichets instalados onde os governos gostariam que o tráfico de mercadorias e pessoas se realizasse: os postos fronteiriços7. É verdade que em sítios exóticos, para defender o ecossistema warxista da extinção natural a que está sujeito, havia cortinas de ferro e de bambu, que se pretendiam intransponíveis, em redor de certas reservas socialistas. Mas estas cortinas não existiam no nosso mundo, graças a Deus, até o sr. Presidente Trump aparecer.

Note-se ainda que até ao início da Primeira Guerra Mundial não era preciso passaporte ou cartão do cidadão para atravessar legalmente uma linha imaginária8. Os passaportes eram então usados basicamente pelos membros do corpo diplomático; as pessoas normais, incluindo Ramalho Ortigão e Antero Quental, essas passeavam pela Europa sem qualquer documento oficial e outras mais afoitas até se aventuravam legalmente pelas Africas, Américas e Ásias sem passaporte. Tudo mudou com o desastre que foram a Grande Guerra e a Liga das Nações. A burocracia internacional na altura nomeada, de pendor estatista e socialista, começou então a insistir que os países membros adotassem passaportes e postos fronteiriços, com as previsíveis consequências de longo prazo: filas intermináveis nos aeroportos de Lisboa e Luanda. É uma história curiosa, mas como é longa, fica para outro dia.

Mas o que é interessante é que, durante as últimas duas décadas, muito mudou como as fronteiras são percecionadas. O novo modelo terá sido adotado quando o sr. Presidente Obama trumped-up9, muito audível e publicamente, o estabelecimento de uma fronteira clara e visível, apelidada então de “linha vermelha”.B Este episódio tornou claro, não........

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