O chumbo de Ventura animou mas não salvou o congresso do PSD
Será que a derrota parlamentar do pacote laboral foi o tónus de que o PSD precisava? E também o álibi que procurava?
Até sexta-feira de manhã, até ao chumbo pelo Chega da reforma-emblema deste governo, havia uma narrativa dominante: o PSD tinha escolhido, tinha-se encostado ao Chega, mantinha formalmente o jogo de espelhos da equidistância ou do “governo pisca-pisca” mas no fundo, bem no fundo, Luís Montenegro rendera-se a André Ventura e o PSD a uma espécie de “geringonça de direita” abençoada pelo Chega.
Depois da derrota na votação parlamentar esta narrativa ficou coxa, perdeu credibilidade. Vista de Anadia, essa derrota foi o que deu ânimo aos discursos tornando-se no alfa e ómega de uma outra narrativa, a narrativa do montenegrismo reformista.
Assim se vai fazendo a espuma dos dias, como se entretanto em Portugal o salário médio não continuasse mais de mil euros abaixo do salário médio da União Europeia e como se não fosse necessário fazer alguma coisa – para além de repetir discursos piedosos – para alterar esta triste realidade.
Terá havido quem achasse que este chumbo foi um mal que veio por bem – afinal ele permitirá separar águas e expor a natureza dúplice e irremediavelmente oportunista do Chega. É gente que se ilude. É gente que ainda acredita que o Chega é um partido à antiga, com ideias e programa, e não mais um desses novos partidos que têm crescido como cogumelos um pouco por toda a Europa e que vivem de algumas causas populares que sabem identificar e cavalgar. Não são partidos........
