E se os candidatos estivessem trocados?
A “direita”, ao que consta, atravessa uma crise existencial. Em contrapartida não creio que a pátria – e os eleitores em particular – sintam necessidade de passar pelo psiquiatra.
Há uns meses, depois da pesada derrota das várias esquerdas nas eleições de Maio, essa dita “direita” andava esfuziante. Fazia contas à aritmética, e entusiasmava-se ao verificar que, pela primeira vez na história da nossa democracia, havia no Parlamento mais de dois terços dos deputados sentados à direita do PS – uma maioria constitucional.
Há duas semanas foi como se caísse de um andaime quando ouviu, na noite da primeira volta das presidenciais, André Ventura proclamar-se líder “da direita” e apelar ao voto de todos os eleitores “não socialistas”.
Desde essa altura que “a direita” não faz outra coisa senão esgatanhar-se sobre se é ou não possível votar em Ventura ou se é ou não urgente votar em Seguro. De caminho antevê-se o fim próximo de um governo de centro-direita que nem um ano tem, prognostica-se a dissolução da Iniciativa Liberal, antevê-se por fim um cataclismo se Ventura tiver um voto sequer a mais do que os votos recolhidos pelo PSD de Montenegro nas........
