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A Europa acordou? Não creio. As explicações de um céptico

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24.02.2026

1 Passam hoje, 24 de Fevereiro de 2026, quatro anos desde a invasão em larga escala da Ucrânia. E em breve passarão 12 anos desde que a guerra verdadeiramente começou, pois é em 2014 que devemos situar o início da intervenção directa da Rússia, primeiro na Crimeia, depois no Donbass.

Ontem, 23 de Fevereiro de 2026, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reuniram-se em Bruxelas para aprovar o 20º pacote de sanções a aplicar à Rússia. É um número que diz tudo: quatro anos depois a UE continua a fingir que pretende fazer aquilo que não fez no primeiro dia, isto é, ter acompanhado as palavras com actos aprovando medidas sancionatórias realmente duras e que não necessitassem de ir já neste enésima versão.

E é um número que, mais do que dizer tudo, nos devia pôr de sobreaviso sobre as promessas que continuam a ser feitas, na Europa, relativamente ao fim da dependência dos Estados Unidos. Fica bem nos discursos, casa pior com a realidade. Até porque, como nessa reunião voltou a acontecer, em momentos decisivos há quase sempre uma areia na engrenagem que atrapalha, atrasa ou mesmo paralisa as acções que deviam dar corpo às belas palavras.

2 Recordemos alguns episódios recentes.

Na cimeira de Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou que os actuais choque geopolíticos “podem e devem” ser uma oportunidade para reforçar a independência europeia, sublinhou a importância de mudar depressa e de forma permanente e deu como exemplo de sucesso o acordo do Mercosur. Dias depois esse mesmo acordo esbarrava no Parlamento Europeu e agora vamos ver o que dirão os tribunais sobre o seu conteúdo. Mais: se em Davos von der Leyen garantiu que agora a Europa iria agir de forma unida e determinada na frente da Defesa, nomeadamente nos investimentos necessários, fora de Davos os parceiros europeus desentendiam-se sobre como e onde desenvolver o novo avião de caça europeu, com alemães para um lado e franceses para outro.

Já este mês de Fevereiro um grupo de chefes de Estado e de Governo reuniu-se num castelo na Bélgica para uma discussão informal sobre como desburocratizar o funcionamento das instâncias europeias e nacionais, mas não só nessa reunião não estiveram alguns dos principais líderes – Montenegro faltou, mas teve como justificação os temporais, o que já não pôde ser invocado por Pedro Sanchez, que também não compareceu e ainda intrigou –, como na........

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