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A esquerda "sentadita" à vista da realidade

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04.09.2026

Herdade da Torre Bela, 1975: José Quelhas, um camponês com senso comum, discute a posse da sua enxada com um esquerdista inchado de ideologia. O delicioso trecho do filme condensa o debate ideológico do tempo do PREC.

Ceuta, 2026: Um vídeo que viralizou é, mutatis mutandis, um meme da atmosfera ideológica do tempo em que vivemos, com o eterno confronto entre o senso comum e os fumos ideológicos.

De um lado, Noelia, mãe de dois filhos menores, na rua e cercada pela realidade. Do outro, em estúdio, a jornalista Gema Peñalosa, enfunada com os estribilhos da moda.

Noelia, indignada, explica que já não deixar os filhos saírem sozinhos. Peñalosa reage com o catecismo: “Já estamos outra vez a associar delinquência e imigração”.

A certa altura a mãe explode e entre vários “cojones”, desafia a atarantada Gema, a trazer os próprios filhos para Ceuta porque de Madrid, “sentadita y pintadita”, é tudo muito fácil.

É, sem dúvida. A distância é um excelente calmante. A insegurança dos outros, vista através de um monitor e de um filtro ideológico, torna-se uma construção social; o medo alheio é “preconceito” e uma invasão de dezenas de milhares de homens reduz-se a uma questão lexical. Não há caos, apenas “mobilidade humana”. Não há perda de controlo, só “desafios de acolhimento”. Não há cidadãos abandonados, mas sim cidadãos a “fazer o jogo da extrema-direita”.  O dicionário progressista não resolve as crises que cria, mas deixa-as com óptimo aspecto.

O catecismo da moda, obriga a fingir que uma invasão de jovens adultos muçulmanos é uma mera “entrada súbita” que não altera as condições de segurança, não sobrecarrega serviços e não aumenta a violência. Mas entre a acusação de xenofobia e a negação da realidade, existe uma região, outrora conhecida por bom senso, que não consta no vademécum dos........

© Observador