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A caminho do abismo?

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28.02.2026

Estava ontem a escrever sobre a possibilidade de um ataque ao Irão. Foi leitura de sinais. Dois grupos de porta-aviões norte-americanos na região, destroyers equipados com sistema Aegis, esquadrilhas de F-35, F-18, EA-18 Growler, F-22 destacados para Israel, reabastecedores aéreos a desenhar uma ponte contínua entre os Estados Unidos, a Europa e o Levante. Quem conhece a gramática militar sabe que isto não é teatro nem moldura decorativa.

A peça estreou ao sábado, como é hábito. Israel e os EUA lançaram um ataque preventivo. O objectivo estratégico é claro: desnuclearizar o Irão, degradar o seu programa de mísseis balísticos e enfraquecer a rede de proxies que Teerão alimentou durante décadas com paciência clerical e método revolucionário. O regime iraniano não quer abdicar de nenhum destes pilares. São a sua garantia de sobrevivência externa e a sua moeda de influência regional. Negociar a sério implicaria amputação estratégica. E ninguém se amputa voluntariamente.

Este golpe inicial serve como argumento persuasivo. Não é diplomacia, mas é uma forma de negociação. O Irão responderá, porque não responder seria admitir fraqueza, mas tem pouco a ganhar com uma escalada descontrolada. O problema das........

© Observador