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Trabalho e Cognac

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27.03.2025

Recordo-me que, há anos atrás, havia uma frase que aparentemente caiu em desuso, “Trabalho é Trabalho, Cognac é Cognac”. Olhando para a nossa classe política, eleita por nós repetidamente, e para os resultados que consegue mostrar à sociedade, parece haver uma mistura de Trabalho (pouco) e Cognac (muito) que os embriaga a todos e que deixa muitos de nós, também, atordoados. Inclusivamente, aos media e ao regimento de comentadores que têm que encher pelo menos quatro canais de televisão 24 horas por dia, todos os dias.

Como se tem visto nas últimas semanas, em vez de se discutirem os problemas do país e da Europa, deu-se prevalência a ocorrências, que podem ser importantes, mas cuja permanente discussão em nada ajuda a resolver as questões que nos afetam no nosso dia-a-dia.

Os problemas mais prementes da sociedade portuguesa como a diminuição do Estado na economia, a dificuldade (ou o desinteresse) em baixar impostos, a organização de um sistema de saúde eficiente, a operacionalidade e conteúdo do sistema educativo, a celeridade da justiça, uma abordagem eficaz dos problemas da habitação e da mobilidade, a gestão da imigração, a sustentabilidade da segurança social e a gestão adequado dos nossos recursos naturais, que constituem o Trabalho que seria de esperar de políticos que foram eleitos com esta missão, foram ultrapassados pela embriaguez do Cognac.

E o futuro não é muito sorridente. Vamos ter eleições em meados de Maio que, aparentemente, vão eleger as mesmas pessoas para cargos semelhantes. Ou seja, mesmo que se mude de primeiro-ministro não parece que nos vamos ver livres da mesma tropa fandanga de políticos que nos têm afligido nos últimos tempos.

O PS, que protagonizou durante o tempo de António Costa a sucessão dos governos mais incompetentes que há memória, vai candidatar a primeiro-ministro, o individuo que é, em minha opinião, o exemplo mais paradigmático da incompetência nacional. E não são suspeitas, tem realmente provas........

© Observador