Que falta faz um Pinheiro de Azevedo!
Uma delegação de países das Caraíbas, liderada pela ministra da Cultura da Jamaica, foi recentemente ao Palácio de Buckingham entregar uma petição com o objectivo de levar os britânicos a pagar reparações pelo antigo tráfico transatlântico de escravos. Mais especificamente, os peticionários querem que o Privy Council, isto é, o Conselho Privado do Rei, emita um parecer afirmando que a escravidão era ilegal segundo a lei britânica desse tempo, parecer esse que, a ser emitido, exporia o Reino Unido a uma mais do que provável futura litigância nos tribunais e torná-lo-ia responsável pelo pagamento de reparações.
Alguns dias antes o Guardian tinha noticiado que o Comité para a Eliminação da Discriminação Racial, um desses ninhos de wokismo que medram na (e à sombra da) ONU, viera defender a tese de que os estados europeus estariam obrigados a fazer reparações pelo tráfico de escravos, não porque essa prática fosse ilegal na altura em que foi praticada ou por outras razões históricas, mas por motivos jurídicos indirectos, isto é, por terem sido signatários de uma Convenção de 1965 que os obriga a combater todas as formas de discriminação racial — o que, por portas travessas, nas cabecinhas dos membros do dito comité, iria retroactivamente desembocar no antigo tráfico de escravos. Entre as várias formas de reparação que o comité preconiza, estaria, como o Telegraph realçou, a obrigatoriedade de erigir estátuas e monumentos a personalidades negras.
Esta tese do dito comité diverge da tese defendida pela delegação vinda das Caraíbas e suscita muitas objecções que deixarei para outro momento. O que aqui quero sublinhar é que........
