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Quem ganhou as eleições? O Japão, Taiwan e o Mundo Livre

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17.02.2026

Há uma semana, dia 8, Portugal foi a votos e produziu o resultado mais previsível da sua história democrática. Uma eleição sem suspense, sem verdadeiro confronto de projetos e sem qualquer efeito transformador no posicionamento do país. No mesmo dia, porém, o mundo também decidiu em várias latitudes. Houve eleições regionais em Espanha, uma eleição presidencial parcialmente repetida na Bósnia, eleições legislativas no Japão e, na Tailândia, eleições gerais acompanhadas por um referendo constitucional. À superfície, um domingo eleitoral como tantos outros, com democracias a cumprir calendário e cidadãos a exercer o direito de voto.

Mas a história não se escreve pela quantidade de eleições realizadas num mesmo dia. Escreve-se pelas decisões que alteram equilíbrios para lá das fronteiras nacionais. E, nesse plano, a eleição japonesa de 8 de fevereiro destacou-se de forma inequívoca. Num momento em que a guerra regressou à Europa, a estabilidade no Indo-Pacífico depende da dissuasão e a questão de Taiwan passou do plano teórico ao operacional, o Japão saiu das urnas com um governo legitimado para aprofundar o reforço da sua política de defesa, consolidar a sua aproximação estratégica aos Estados Unidos e assumir um papel mais ativo na arquitetura de segurança regional. O voto japonês não foi apenas doméstico. Teve impacto direto no sistema internacional.

A vitória esmagadora de Sanae Takaichi e do Partido Liberal Democrata não é apenas uma vitória eleitoral. É a consolidação de um mandato político raro no contexto japonês contemporâneo. Com 316 dos 465 lugares na câmara baixa, o LDP assegurou sozinho uma maioria qualificada de dois terços, algo excecional na história política japonesa do pós-guerra. Com a coligação, que inclui o Japan Innovation Party, esse número sobe para 352 deputados, garantindo um controlo parlamentar que confere ao governo capacidade legislativa plena, incluindo para ultrapassar bloqueios na câmara alta. Onde antes houve primeiros-ministros de passagem, equilíbrios frágeis e governação defensiva, há agora condições para estratégia. Onde antes havia prudência forçada, há agora escolha deliberada.

Este ponto é essencial para compreender o significado global destas eleições. Num sistema internacional cada vez mais marcado pela competição entre democracias e ditaduras, o Japão ocupa uma posição que amplifica o impacto das suas escolhas políticas, tanto pela sua escala económica como pelo seu papel na segurança do Indo-Pacífico.

Durante décadas, o Japão foi o exemplo acabado de contenção estratégica. A Constituição, em particular no que diz respeito à Defesa, funcionou como símbolo e instrumento dessa escolha. A aposta no poder........

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