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Por uma verdadeira casa do cinema de Coimbra

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12.09.2026

Soube-se recentemente que o executivo da Câmara Municipal de Coimbra pondera suspender o financiamento da “recuperação” dos dois espaços das Galerias Avenida afectos à Casa do Cinema de Coimbra e procurar um novo local para o efeito. O executivo questiona a viabilidade da recuperação desses dois espaços pelo enquadramento em que se situam: as decrépitas galerias. Pelo que sei de vivência própria, as Galerias já foram um imbróglio de proprietários, cada um com a sua fracção onde apenas um voto contrário podia inviabilizar a venda por atacado. Aconteceu!

Mas uns anos antes disso tudo, aquilo que vivi de forma mais próxima e sentida foi a concretização do sonho de um empresário, Pedro Mendes de Abreu, proprietário do Teatro Avenida, que acabou por encerrar em 1988. Em 1983, tinha-se atirado de corpo e alma para um projecto inovador que mudou a exibição cinematográfica em Coimbra durante quase uma década: o Cinema Girassolum trouxe para uma cidade de estreitos horizontes culturais e artísticos o conceito do cinema de bairro integrado num centro comercial que já singrava em Lisboa e no Porto. Com as cadeiras mais confortáveis da cidade, o Girassolum abriu com Gandhi e continuou com uma programação cuidada e pensada para garantir a presença semanal dos indefectíveis do cinema. Enquanto o Teatro Avenida encerrava em 1988 com o mesmo filme com que se abriu ao cinema em 1953 (A Túnica), o sucesso consecutivo do Girassolum mostrava que, não obstante as adversidades que o destino lhe apresentava, Pedro Mendes de Abreu seguia com o seu sonho de proporcionar à cidade uma experiência cinematográfica ímpar para um público que considerava exigente.

Entretanto, pela falta de apoios para recuperar o Teatro Avenida e perante o facto de a recuperação ser mais onerosa do que a demolição e subsequente construção de raíz, Pedro Mendes de Abreu acreditou que seria possível repetir naquele velho espaço o conceito de cinema de bairro integrado num centro comercial do Girassolum. Assim surgiram as Galerias Avenida, pensadas para três salas de cinema, cada uma a ser concluída e inaugurada em função da evolução do projecto.

Em 1989, pouco tempo depois de a primeira sala abrir (o Estúdio 1, no último andar), enquanto crítico de cinema da RDP Centro e do Jornal de Coimbra travei conhecimento com Pedro Mendes de Abreu para lhe pedir livre-trânsito como membro da imprensa especializada. Foi-me concedida sem termo, para qualquer sessão, em qualquer das suas salas, sempre em duplicado “para levares as namoradas”… Foi o início de uma bela amizade.

Nos anos seguintes, ao visitar de forma regular o seu escritório para recolher material promocional dos filmes, vivi por dentro as aberturas posteriores do Estúdio 2, que hoje alberga a Casa do Cinema de Coimbra, e do Cine-Teatro, a menina dos seus olhos. Durante esses anos de convívio profissional até à minha saída do semanário As Beiras, em 1994, fui percebendo nas entrelinhas as suas razões para o projecto das Galerias Avenida. Mais do que os seus detractores, ele sabia que o encerramento do Teatro Avenida não podia ter acontecido de forma mais inglória, ao ponto de lhe pesar na consciência quase como uma traição à cidade. Mas cedo achou que, em todas as suas imperfeições e características inadequadas, as Galerias Avenida eram a única forma sustentável de um exibidor independente se manter em actividade naquele local emblemático. Não foi por mal, foi a fuga em frente no seu sonho de servir a população.

Infelizmente, Pedro Mendes de Abreu não foi........

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