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Trump, Leão XIV e a guerra pela autoridade moral da América

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20.04.2026

O Grande Cisma do Ocidente não foi apenas uma querela eclesiástica. Foi uma luta pelo comando moral e político da Cristandade latina. A partir de 1378, com a contestação da eleição de Urbano VI e a instalação de Clemente VII em Avignon, a Igreja dividiu-se entre obediências rivais, alianças dinásticas e estratégias de poder. Por detrás da disputa teológica estava uma questão mais profunda: quem detém autoridade para falar em nome da ordem moral comum?

O que tem esta questão a ver com Donald Trump? Muito. O presidente norte-americano entrou, recentemente, em conflito com Leão XIV, o primeiro Papa americano, num confronto que ultrapassa a diplomacia e toca a própria disputa pela autoridade moral no espaço público americano. Circularam relatos, entretanto contestados, sobre pressões exercidas por responsáveis da administração americana junto de interlocutores do Vaticano, incluindo alusões históricas ao precedente de Avignon. Independentemente da literalidade desses relatos, o essencial é que a tensão entre a Casa Branca e a Santa Sé é real, pública e politicamente reveladora.

Esta tensão entre o Vaticano e a Casa Branca não é um simples episódio mediático. Pelo contrário, encontra-se no coração da identidade política do trumpismo, demonstrando a força gravitacional do fator religioso quer no movimento MAGA, quer na própria construção do arquétipo político de Donald Trump.

De Trump ao MAGA, e do MAGA a Trump

O movimento MAGA (Make........

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