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E nunca mais voltaste à Caparica

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07.07.2026

Há casas nem por isso feitas de paredes. Não são casas, antes uma maneira de voltar depois de um ano inteiro à espera de um Verão inteiro condensado na curva da estrada quando a arriba desaparece e o Atlântico, paciente, inerte e eterno celebra o teu regresso.

E aquela casa na Costa de Caparica (de e não da) um regresso ao princípio, ao lugar onde a infância ainda mora escondida nas persianas de madeira, no cheiro da maresia entranhado nas toalhas, na areia a entrar contigo casa adentro como um cão fiel.

Um dia, dizias para ti mesmo, quando o tempo deixasse de correr atrás de ti e começasse finalmente a caminhar ao teu lado, seria ali o destino dos últimos anos. Os últimos livros. Os últimos cafés. Os últimos pores do sol na varanda. O fim da vida não te assustava conquanto tivesses o mar à janela.

Mas e se uma casa morrer antes de tempo? Não porque o sal rói as paredes, mas por não ser possível nela habitar. Basta, para tal, uma torneira aberta e dentro de si este silêncio metálico, um silêncio a querer rir-se da tua ingenuidade. E nunca pensaste ser o mais triste de uma casa a ausência de água.

Na Costa de Caparica a água tornou-se uma visita incerta. Uns dias chega, noutros desaparece, e sempre sem aviso ou anúncio........

© Observador