O nevoeiro da guerra
Donald Trump foi eleito com uma importante promessa em política externa: pôr fim às chamadas políticas de «regime change» – ou seja, às guerras para impôr, pela força, a democracia liberal a outros Estados.
Daí o constrangimento na área conservadora, normalmente favorável a Trump e aos republicanos, e a sua atitude crítica perante os ataques ao Irão. Mesmo pesando o sucesso da eliminação do Guia Supremo, Ali Khamenei, e do núcleo duro da direcção religiosa e político-militar iraniana, mantem-se a perplexidade e apreensão quanto aos riscos directos e indirectos do conflito.
Um destes críticos é o professor John Mersheimer, que acusa Trump de se ter deixado influenciar por Netanyahu e de estar a seguir uma política colada a Israel, que quer aproveitar a fraqueza actual do Irão para disferir um golpe de morte, não só ao regime dos ayatollahs, mas ao poder regional de Teerão. Outros analistas da mesma área, como os do The European Conservative, fazem a mesma crítica e acrescentam-lhe o desfavor da opinião pública, citando uma sondagem da Reuters de 1 de Março, em que à pergunta «Apoia o ataque de Trump ao Irão?» a resposta maioritária foi não (43%). O sim teve 27% e o não sabe, não responde 30%. Como seria de esperar, 55% dos sins foram de Republicanos, mas, mais inesperadamente, também foram de Republicanos 13% dos nãos e 32% das indecisões. Dos Democratas, 74% responderam não, 7% aprovaram, e 19% declararam-se indecisos. Outras sondagens, com a do Post e a da CNN, confirmaram a tendência.
Os eleitores republicanos serão menos entusiastas se das «operações militares» resultarem muitas baixas americanas ou se o preço do combustível aumentar nos........
