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Será este sangue derramado o presságio de uma guerra civil?

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02.03.2026

Vivemos horas que a História gravará com tinta indelével. Diante dos nossos olhos, ainda enevoados por décadas de propaganda que nos prometia o fim da própria História sob a égide do Ocidente, decide-se silenciosamente o nosso destino. Mas enquanto nos demoramos na ilusão da estabilidade, a História acelera, impaciente, começa a fugir-nos, e as nossas elites parecem completamente ultrapassadas. A História surpreende-nos (…) Os períodos de relativa acalmia tendem a fazer-nos esquecer a grande e constante realidade do imprevisto na História, afirmava o historiador Dominique Venner na sua obra L’Imprévu dans l’Histoire, a propósito dos assassinatos políticos que desencadearam tempestades na História mundial. Há alguns meses, escrevi um texto intitulado Tempos de violência política, no qual defendia que o “assassinato político” regressara em força após o homicídio de Charlie Kirk, em 2025, cometido por um militante próximo da extrema-esquerda. Infelizmente, os acontecimentos vieram dar-me razão. Sustentava então que, neste fim de ciclo que vivemos, a fraqueza das elites, aliada a um conjunto de problemáticas sociais, económicas, ecológicas, migratórias e geopolíticas, permitiria o regresso em força da violência política. O recente assassinato de Quentin Denarque, que foi noticiado em Portugal, confirma a minha previsão.

Não tinha intenção de escrever sobre a morte de Quentin Deranque. Além disso, o professor Tiago Moreira de Sá já abordara o tema num artigo de opinião. Contudo, o caso está a assumir proporções significativas, ao ponto de líderes de Estados estrangeiros se pronunciarem. Consequentemente, decidi abordar o assunto por duas razões. Primeiro, li algumas notícias em Portugal cuja informação era parcial. Em segundo lugar, senti repulsa ao ler comentários que se regozijavam com a morte do jovem Quentin Deranque, acusando-o de ser “nazi”.

O facto de existirem pessoas que se alegram com a morte de um jovem de 23 anos, descrito como pacífico, apenas reforça a ideia de que certos militantes da extrema-esquerda transpiram ódio por todos os poros. Consideram-se guardiões da moral, representantes da “facção do bem”, mas revelam pensamentos odiosos.

Ainda mais paradoxal é ver militantes que se opõem à pena de morte para criminosos violentíssimos defenderem, sem hesitação, a morte de jovens inocentes apenas por divergência ideológica. Pergunto: reflectem verdadeiramente sobre o que dizem? Ou terá a inteligência abandonado há muito o espírito dos extremistas de esquerda, deixando no seu lugar apenas o ódio e a intolerância? Embora, no fundo, eu não me admire muito, afinal de contas Che Guevara afirmou que o “ódio era o motor da luta revolucionária” (in Mensaje a la Tricontinental, 1967).

Não vos matam por serem fascistas; chamam-vos fascistas para justificar a vossa morte” (Florence Bergeaud Blacker). A extrema-esquerda não mudou muito desde 1789. É aliás a tese de um excelente livro de Thierry Bouclier, La Gauche ou le Monopole de la violence, de 1789 à nos jours, em que ele analisa 200 anos de violência vermelha. A violência está no ADN dos escritos de autores socialistas, marxistas e anarquistas. A “santa violência”, afirmavam certos anarquistas franceses do século XIX. Não admira: no projecto dos revolucionários estava desde o início a construção de um mundo novo, que visasse o surgimento de um homem novo, livre das “correntes da História”. Ora, para criar esse mundo novo, era necessário destruir por completo o antigo: tabula rasa do passado, até os nomes dos meses deveriam ser alterados. Na passada quinta-feira, um historiador francês recordava as palavras de um deputado revolucionário bretão durante o Terror, que afirmava que se os revolucionários tivessem de exterminar três quartos da população francesa – na altura a França era o país mais populoso do Ocidente, com 25,7 milhões de habitantes, muito mais que o Reino Unido ou os jovens EUA – pouco importaria: o último quarto que sobrevivesse seria composto realmente pelos “puros”.

Ao longo do século XIX, socialistas revolucionários, comunistas, anarco-sindicalistas e outros fanáticos da extrema-esquerda cometeram atentados, assassinatos e sangrentas tentativas de sublevação, como a da Comuna de Paris. Por fim, em 1917, a extrema-esquerda conseguiu, através dos bolcheviques, dominar um país – beneficiando de muita sorte e, sobretudo, da traição de certos generais dos exércitos brancos, como Grigory Semyonov. E que experiência trágica foi: 20 a 30 milhões de mortos provocados pelas péssimas políticas de Estaline bem como pelas suas purgas.

Éric Zemmour resumiu muito bem a situação. Quando um jornalista lhe perguntou se o assassinato de Quentin Denarque era revelador da violência da sociedade, Zemmour respondeu de forma brilhante: “Não, não é revelador de um grau de violência da sociedade. Têm de........

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