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O dividendo orçamental de Montenegro

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15.09.2026

Há qualquer coisa de contraditório na expressão “suplemento extraordinário” quando é pago pelo terceiro ano consecutivo. Em 2024, o Governo de Luís Montenegro, pouco tempo depois de tomar posse em Abril, decidiu pagar aos pensionistas entre 100 e 200 euros, um custo de  422 milhões de euros. Em 2025 repetiu a medida e temos mais 400 milhões. E no debate da moção de censura do Chega  volta a anunciar que em dezembro haverá um novo suplemento extraordinário. Mais cerca de 400 milhões. Três anos, três pagamentos extraordinários que já correspondem a 1,2 mil milhões de euros.

Luís Montenegro não inventou esta política. O recurso aos cheques começou antes, com os governos de António Costa, primeiro durante a pandemia e, em muito maior escala, durante a crise inflacionista. E foi de alguma forma concretizada por vários países.

Em 2022, quando a inflação se aproximava dos dois dígitos e os preços da energia disparavam, o Governo de António Costa transferiu 125 euros a cada pessoa com rendimentos até 2700 euros mensais e 50 euros por dependente. E entregou aos pensionistas o equivalente a meia pensão. Só estas duas medidas custaram cerca de 1,7 mil milhões de euros. No ano seguinte as famílias mais vulneráveis passaram a receber 30 euros por mês, acrescidos de 15 euros por criança. Mais cerca de 580 milhões de euros.

Desde 2022, só algumas das principais transferências extraordinárias decididas pelos dois governos ultrapassam os 3,5 mil milhões de euros. E isto sem contar com outras medidas extraordinárias de apoio ao rendimento ou de redução temporária de impostos.

Há, contudo, uma diferença importante entre a política de Costa e a de Montenegro. E não está nos instrumentos.........

© Observador