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LIVRE: querer governar não basta

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O XVII Congresso do LIVRE fez uma coisa importante: retirou ao partido uma ambiguidade. O LIVRE já não quer apenas influenciar políticas, puxar o debate para a esquerda ou aumentar a sua representação. Quer governar. Para quem está fora, esta proclamação pode ser lida como um sinal de confiança. Para quem está dentro, deve ser recebida sobretudo como uma obrigação. Dizer que se quer governar é fácil; construir um partido capaz de o fazer é difícil; governar bem é ainda mais difícil.

A distância entre estes três momentos não é retórica. É organizacional. Um partido pode ter boas ideias, crescer eleitoralmente e chegar relativamente depressa a posições de poder sem ter construído as pessoas, as equipas e os processos necessários para as exercer. Pode conquistar lugares antes de saber como os preencher e receber responsabilidades antes de ter aprendido a distribuí-las. A chegada ao poder não corrige estas fragilidades. Expõe-nas.

É por isso que a capacidade governativa não começa num programa eleitoral nem se adquire depois de uma vitória. Constrói-se muito antes, na forma como o partido trabalha. Uma organização prepara-se para governar quando sabe transformar participação em experiência, experiência em responsabilidade e responsabilidade em capacidade coletiva. Isso exige conhecer o trabalho que é realizado, perceber quem demonstra aptidões, criar oportunidades para as desenvolver e garantir que o conhecimento adquirido não desaparece sempre que mudam os órgãos, os candidatos ou os eleitos.

O LIVRE ainda escolhe muitas pessoas como se os seus membros continuassem todos na mesma sala. O modelo fazia sentido numa organização pequena, em que o conhecimento pessoal e a experiência partilhada permitiam avaliar razoavelmente quem se apresentava a uma responsabilidade. A abertura das candidaturas e a eleição direta não eram apenas formalmente........

© Observador