A Beira Baixa não se vende
Há momentos em que uma consulta pública deixa de ser apenas uma formalidade administrativa e torna-se um sinal político claro. No caso da Central Solar Fotovoltaica Sophia e das linhas de muita alta tensão associadas, esse sinal foi evidente na consulta pública; a população da Beira Baixa disse que não.
Num texto anterior, defendi uma ideia simples: solar, sim, mas nos sítios certos. Não era uma frase contra a transição energética. Era e continua a ser uma defesa da transição energética feita com inteligência, justiça e respeito pelo território. Os documentos, entretanto, e as últimas notícias sobre as sessões promovidas pela empresa apenas reforçam essa posição.
Estamos perante um projeto de dimensão excepcional, centenas de hectares diretamente intervencionados, uma área vedada muito superior, mais de um milhão de módulos fotovoltaicos, subestação, sistema de baterias e linhas aéreas de muita alta tensão a atravessar o território. Não estamos a falar de uns painéis discretos no meio da paisagem; estamos a falar de uma transformação profunda e prolongada do uso do solo.
A contestação pública não nasceu de um medo irracional da energia renovável. Nasceu da clara perceção de que existe uma desproporção entre o benefício energético nacional e o custo territorial local. O que está em causa não é escolher entre o clima e o território. Essa é uma falsa escolha. O que está em causa é........
