Análise do Crescimento Económico Português
A economia portuguesa tem sido alvo de debates, sobretudo no que se refere à qualidade do crescimento e à sua sustentabilidade a médio e longo prazo. Embora as taxas de crescimento anual tenham, em determinados períodos, ultrapassado a média da União Europeia – com oscilações entre os 1,5% e 1,9% do PIB nacional -, a análise não se pode cingir apenas a estas décimas percentuais.
O presente artigo visa aprofundar os determinantes estruturais do crescimento do PIB, analisando os contributos do consumo, do investimento, e do setor exportador, e, de forma especial, a dependência do setor turístico. Adicionalmente, aborda-se a questão do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e a sua alocação, evidenciando que, embora o IDE esteja a crescer, a sua distribuição entre os setores não contribui suficientemente para elevar a produtividade e o PIB potencial – atualmente em cerca de 2% ao ano, em contraste com os 4-5% na década de 90.
Evolução Histórica dos Contributos para o Crescimento do PIB
Componentes do Crescimento e Sustentabilidade Económica
Doravante iremos analisar a evolução temporal referente aos principais motores do crescimento do PIB português nos últimos 10 anos:
2015 – No período pós-intervenção da Troika, o maior contributo para o crescimento do PIB advém das exportações, – apresentando cerca de 40% do crescimento – seguido pelo consumo privado – que representou cerca de 30% desse crescimento. O ajustamento financeiro desse período enfatizou a reorientação do mercado interno para os mercados externos. Já os níveis do consumo público e do investimento mantiveram contribuições modestas, representado níveis de crescimento na ordem dos 15 pontos percentuais cada um.
2016 – Neste ano, há uma mudança de enfoque, em que o consumo privado passou a desempenhar o papel dominante do crescimento do PIB – com uma margem de cerca de 45% do crescimento em relação aos 35% do setor exportador. Reflexo do aumento dos rendimentos dos contribuintes, embora as exportações se tenham mantido a um nível significativo.
2017 – Este foi um ano algo atípico em que se observa um equilíbrio entre as exportações, o consumo, e, pela primeira vez, a formação bruta de capital fixo (investimento) assume um contributo relevante – um indicador positivo de diversificação dos motores de crescimento. As exportações e o consumo privado passaram a representar 35% do crescimento, e o investimento atingiu valores a rondar os 20%, em detrimento dos 10% do consumo público.
2018-19 – O consumo privado tornou-se ainda mais decisivo, o que é natural dada a proximidade das eleições legislativas, passando a atingir 50% em 2018, e 55% em 2019. E o investimento volta a representar somente 10% do crescimento do PIB em ambos os anos.
2020-24 – Durante a pandemia do COVID-19 (que afetou sobretudo o ano de 2020), o setor exportador registou um contributo negativo, mas a recuperação de 2021, evidenciou a resiliência dos mercados externos, principalmente impulsionados pelo turismo. Contudo, de 2022 em diante, o investimento representa uma contribuição muito baixa (cerca de 5%), comprometendo a sustentabilidade do crescimento a médio prazo. Ademais, as exportações e o consumo privado retomaram a importância, evidenciando a dependência do turismo.
Esta evolução revela que, embora o período pós-Troika........
© Observador
