Entre o limite de velocidade e o limite da paciência
Na última terça-feira, o PS resolveu trazer para a Assembleia Municipal de Lisboa o tema da sinistralidade rodoviária.
A pergunta impunha-se: porquê agora? Que dados tinha o Partido Socialista para justificar a urgência do assunto? E que podia o PS acrescentar, se a base eram apenas os dados distritais disponíveis, demasiado abrangentes para discutir Lisboa com rigor? Um debate nestes termos seria, apenas e tão só, uma ociosa e estéril troca de impressões.
Foi assim, num misto de expectativa e apreensão, que se aguardou pelo início dos trabalhos.
Eis então que surge Luís Coelho, o deputado municipal encarregado de conduzir a intervenção do PS. Seguiu-se um amontoado de banalidades e considerações genéricas: frases que serviriam para Lisboa, como para Odivelas ou Vila Nova da Barquinha. Dados? Nenhuns. A montanha pariu um rato. E o PS fez o que o PS faz melhor: navegou em abstracções, desligado da vida quotidiana dos lisboetas, tentando torcer a realidade para caber numa tese pré-fabricada; a de que existe uma relação causal directa entre diminuição de velocidade e diminuição de sinistralidade rodoviária. Ora, com os dados disponíveis, essa conclusão não podia ser demonstrada.
Ainda assim, Luís Coelho encerrou com a solenidade do anúncio de uma verdade inédita, numa frase tão segura quanto vazia, e cito:........
