Dar a volta ao Volta
Esta semana, Carlos Moedas voltou a pedir o fim do Volta. O lixo espalhado nas ruas e o drama social associado à procura de garrafas e latas nos contentores justificaram a sua tomada de posição. É uma posição atendível. Um presidente de câmara tem de responder por uma cidade onde se possa viver, e os lisboetas têm todo o direito de exigir ruas limpas. E quem trabalha na higiene urbana também merece mais consideração do que a recomendação implícita de continuar a limpar os estragos.
Continuo, porém, a achar que acabar com este sistema seria uma resposta insuficiente. Mais: seria uma resposta ao lado. Quando aqui escrevi sobre o Volta, chamou-me a atenção o pouco que bastava para levar alguém a revolver um contentor: dez cêntimos por embalagem. Entretanto, a discussão sobre o assunto foi crescendo. Ainda bem. Ainda assim, convinha que não nos esquecêssemos o que a motivou.
Se o Volta desaparecesse amanhã, algumas ruas poderiam ficar mais limpas. Contudo, as pessoas que procuram embalagens continuariam pobres. Algumas perderiam uma fonte de rendimento, sem que lhes fosse oferecida........
