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O mito da “Fuga de Cérebros”

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19.06.2026

1 Os pressupostos do perigoso mito

O debate público em Portugal tem sido ciclicamente assombrado pela narrativa da decadência económica e demográfica, encontrando no diagnóstico da designada “fuga de cérebros” um dos seus mais consensuais e emotivos pilares.

Em termos sucintos, a referida “fuga de cérebros” – geralmente reconduzida à expressão “human capital flight” – teve por base a alusão, nas décadas de 50 e 60 do Século XX, ao fenómeno de emigração massiva de cientistas britânicos para os Estados Unidos da América e o debate subsequente, a respeito do eventual prejuízo daí decorrente face ao investimento inerente à respetiva formação superior, com dividendos líquidos para o respetivo Estado de acolhimento.

Retornando ao ponto de partida, e tomando sobretudo como referência o caso específico português, a referida “fuga de cérebros” tem por base o fenómeno de emigração contínua de jovens profissionais qualificados – nas mais diversas áreas – que deixam o país em busca de melhores condições de vida no estrangeiro, em especial considerando o nível salarial extremamente baixo que, em termos médios, é praticado em Portugal.

Geralmente, a alusão ao fenómeno da “fuga de cérebros” encara a mencionada fuga como um problema – quando não algo que urge mesmo combater: no essencial, a ideia é a de que, mais uma vez, o país está a subsidiar o progresso económico e social de nações mais ricas, e onde os níveis salariais são mais elevados, à custa do seu empobrecimento futuro.

Nessa medida, poder-se-á mesmo dizer que, na visão de quem aponta o problema, há a clara perceção de um investimento a fundo perdido: o Estado gasta milhões de euros dos impostos dos cidadãos portugueses para formar engenheiros, médicos, enfermeiros ou investigadores de excelência, para, em última instância, ver esse valor acrescentado ser colhido por economias que não contribuíram para a respetiva formação.

Este tipo de diagnóstico é relativamente sedutor, reconheça-se – sendo difícil imaginar um só português que convictamente irradie felicidade porque parte dos jovens recém-formados, seus concidadãos,........

© Observador