O triângulo do poder e o fim de uma era
Durante quase dez anos, a política portuguesa viveu sob a influência de um triângulo improvável, mas extraordinariamente eficaz: Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Luís Marques Mendes. Não formaram uma aliança, não partilharam um programa e nunca se sentaram juntos para decidir o destino do país. Ainda assim, funcionaram como os três vértices de um triângulo de poder, cada um ocupando um ângulo distinto o institucional, o governativo e o mediático que, articulados, moldaram o ambiente político, condicionaram o debate público e definiram o tom da vida nacional. Esse triângulo, difuso mas real, assentava numa combinação rara de visibilidade, autoridade e capacidade de moldar narrativas. E, como tudo o que parece eterno, também ele chegou ao fim, embora os seus protagonistas, e muitos dos que os rodeavam, ainda não tenham percebido que o país mudou de geometria e já não responde aos mesmos estímulos nem às mesmas figuras.
Marcelo Rebelo de Sousa foi mais do que Presidente: foi o vértice institucional do triângulo, um verdadeiro sistema operativo. Criou um........
