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A aristocracia arruinada: o futuro político da classe média

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14.10.2026

Durante anos habituámo-nos a medir o progresso de Portugal através dos salários, do emprego, do crescimento económico e da inflação. Mas talvez esses indicadores já não expliquem totalmente o país que temos à frente dos olhos.

Basta observar o quotidiano das grandes áreas urbanas. Colégios privados, casas em zonas valorizadas, férias no estrangeiro, automóveis de gama média e alta e padrões de consumo que sugerem prosperidade. No entanto, uma pergunta incómoda impõe-se: quantas destas famílias vivem exclusivamente dos rendimentos que auferem todos os meses?

Uma parte crescente desse conforto não assenta apenas no trabalho atual. Assenta em património acumulado pelos pais e avós, em heranças, em ajuda financeira familiar e, muitas vezes, em crédito. A investigação europeia mostra que as transferências intergeracionais desempenham um papel crescente na distribuição da riqueza, sendo responsáveis por uma parcela substancial da desigualdade patrimonial em vários países desenvolvidos.

Portugal não está sozinho. Espanha, Itália e Grécia fazem parte do chamado modelo familiarista de bem-estar, no qual a família desempenha funções que, no Norte da Europa, são frequentemente asseguradas pelo Estado. Os pais e os avós financiam a entrada para a habitação, apoiam os filhos durante os períodos de desemprego e ajudam a........

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