O PRR e o Estado que desconfia de todos
Passámos meio século a construir um Estado que sofre de um fascinante delírio persecutório: convenceu-se de que cada cidadão nasce com vocação para a fraude e cada funcionário público traz um diploma em peculato. A cura? Uma teia de regras tão espessa que nem Deus, se quisesse abrir uma tasca em Portugal, conseguiria o alvará antes do Juízo Final. Agora, ó suprema ironia, o Estado olha-se ao espelho e descobre, horrorizado, que já quase não consegue mexer-se.
Sempre que um manhoso qualquer furava a fila, a nossa brilhante classe política não punia o manhoso; inventava um carimbo. Sempre que cheirava a esturro, paria-se um instituto, uma comissão, um observatório, uma plataforma digital inoperante e dois formulários em triplicado. O resultado é este glorioso parque temático da........
