Hannah e outras amigas
As melhores amigas da minha mãe eram todas mulheres na casa dos trinta, abandonadas de alguma forma: mães solteiras, amantes de homens casados de quem tinham tido filhos, mulheres enganadas ou divorciadas. Eram mulheres independentes e, ainda que sofridas, não precisavam dos homens para levar a vida em diante.
As amigas apareciam em casa da minha mãe em Luanda, durante a tarde, ao fim-de-semana, chamava-se um “miúdo de rua”, que ia à esquina comprar amendoins torrados, cervejas e gasosas, em troca de alguns kwanzas, e conversavam, bebiam e petiscavam sentadas na mesa redonda toda a tarde, enquanto ouviam Anita Baker, Marvin Gaye ou Quincy Jones.
Eram todas bonitas e especiais. Hannah, filha de um jamaicano e de uma inglesa, tinha olhos amendoados, longos dedos e orelhas pequeninas. Pintava as unhas compridas sempre de vermelho e usava bijuteria indiana, argolas de ouro rosa e alianças muito finas em........
