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Henrique Raposo entre a lareira e a realidade 

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14.02.2025

Vou ser honesto: tive de esperar alguns dias para escrever uma resposta sensata a este pseudo-cronista. Deixar que o tempo acalmasse a revolta despoletada pela “crónica” de Henrique Raposo foi essencial para expor os seus argumentos de forma racional. Sou médico especialista em Medicina Interna, com 8 anos de experiência em urgências, tanto em hospitais públicos como privados. Vivi a pandemia na linha da frente, com inúmeras horas extras realizadas. Dito isto, conheço profundamente a realidade sobre a qual Raposo, do conforto da sua lareira, decidiu discorrer sem o mínimo conhecimento ou empatia, reflexo de uma época em que qualquer pessoa sente que pode emitir opiniões sobre temas complexos.

Henrique Raposo alega que, ao escolherem medicina, os médicos aceitam implicitamente um “contrato social” de martírio. Compara os médicos a sacerdotes, ignorando que estes são profissionais com horários, famílias e limites humanos. A medicina, para além de ser um serviço público essencial, exige condições de trabalho que permitam exercer com qualidade e segurança. Que moral........

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