Marrocos, a Monarquia que resiste
Marrocos celebra, em 2026, 70 anos de independência e de regime. Até à data, o país conheceu três monarcas, Mohamed V, Hassan II e o atual regente, Mohamed VI. Monarquia constitucional, democrática, parlamentarista e social, cruzou seis versões constitucionais. De fundamentos sunitas, o país assume-se tolerante e inscreve a liberdade de culto desde a sua primeira versão constitucional, a de 1962. Território berbere desde as primeiras aglomerações tribais, recebe os árabes a partir do século VIII. Já antes disso, vira por ele passar romanos, fenícios, romanos, vândalos, judeus… E foi através da figura do sultão que durante séculos e até à constituição da monarquia que os árabes assumiram a soberania dos povoados. Ideias revolucionárias, tentativas de golpes de Estado, atentados terroristas, Primavera Árabe: passageiras ameaças ao regime. O Reino de Marrocos subsiste e mostra-se numa dimensão global.
Hoje vamos até Marrocos. A capital, Rabat, servia-me de paragem de repouso e fonte inspiração desde os meus “vintes”, um verdadeiro cartão-postal do Reino, aliando tradição e inovação. Entre longos períodos de estudo, as iguarias cozinhadas pela Malika, as pausas para o chá com menta, o eco místico vindo das mesquitas que apelava os féis à devoção … o carinho doado pelo povo marroquino, puro e despretensioso. O que é diferente estranha-se, é um reflexo humano, mas aquele lugar abraçava todo o indivíduo sem distinção, da mesma forma que as areias se encontram com os ares Atlânticos. Marrocos é um laço que não se desfaz, e os perfumes de África ninguém os esquece. Talvez tenhamos herdado deles, pelos genes comuns, o saber “bem receber”. Recordo-me do meu caminhar despreocupado pelas ruas, das conversas encantadoras com desconhecidos, das aventuras ao longo da costa numa Range........
