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10 mil quilómetros. De regresso ao Japão

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06.02.2026

Quando, em 1543, os cascos de navios estrangeiros rasgaram a bruma costeira do arquipélago japonês e se ouviram os primeiros estampidos de pólvora em Tanegashima, não nascia apenas um contacto acidental: abria-se uma nova era de globalização, cujo eco ainda hoje ressoa entre Portugal e o Japão. O documentário “10 Mil Km. De Regresso ao Japão” relembra essa epopeia de encontros e desencontros, mas convoca também a memória de indivíduos que transformaram o acaso em ponte. Padres, marinheiros, cronistas, diplomatas e escritores souberam traduzir curiosidade em conhecimento e comércio em diálogo.

Biombo Namban – representação da chegada dos portugueses ao Japão (sec. XVI)

Do lado português, a presença jesuítica deixou marcas indeléveis: Francisco Xavier, cujo nome se tornou sinónimo do primeiro impulso missionário; Luís Fróis, cronista atento às singularidades japonesas; João Rodrigues, intérprete e estudioso de uma língua que ajudou a decifrar; e tantos outros que, entre missões e mercadorias, mapearam costumes e abriram canais de comunicação cultural. Estes actores não foram apenas emissários da fé: foram também agentes de transferência tecnológica e de conceitos que alteraram estratégias militares, técnicas navais e hábitos de consumo. Por isso mesmo, o encontro de 1543 não se reduz a um episódio exótico. Foi, em palavras mais prosaicas, o início de uma globalização precoce, movida pela iniciativa comercial e por um espírito empreendedor que caracterizava os portugueses.

Ao longo dos........

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