Entre a fé e a sobrevivência: que Angola?
Angola prepara-se para receber o Papa. Um momento de enorme simbolismo espiritual, de projeção internacional e de afirmação enquanto nação aberta ao mundo. Mas também um momento que levanta uma pergunta inevitável — e incómoda: que prioridades estamos, de facto, a escolher como país?
Segundo dados recentes, o Estado angolano prevê gastar cerca de 35 mil milhões de kwanzas em despesas emergenciais associadas à visita papal — o equivalente a aproximadamente 32,3 milhões de euros, à taxa de câmbio do Banco Nacional de Angola de 13 de abril. Um investimento significativo, feito num curto espaço de tempo, que demonstra, acima de tudo, uma coisa: quando quer, o país mobiliza recursos, acelera processos e executa.
Mas ao mesmo tempo, Angola volta a ser palco de uma tragédia que, infelizmente, já não surpreende.
As chuvas intensas dos últimos dias provocaram pelo menos 45 mortos e afetaram mais de 51 mil pessoas nas províncias de Luanda e Benguela, de acordo com a RTP. Centenas de casas desabaram, dezenas de escolas e unidades de saúde ficaram destruídas, e milhares de famílias foram desalojadas. Só........
