A última comunista no Aljube
Na semana passada, a esquerda queixou-se pela primeira vez de ver alguém sair, e não de entrar, no Aljube: parece-nos um progresso social relativamente unânime, que só o pessimismo dos tempos impede de celebrar; quase ao mesmo tempo, o mais magrittiano dos teatros lisboetas – que se chama do Bairro Alto, mas é no Rato – também mudou de director e as pateadas ecoaram pela internet fora.
Tudo isto é triste, sobretudo para quem perde o emprego ou vê interrompida uma ambição legítima para um espaço, mas é sobretudo deprimente. A depressão não vem de assistir a adultos, de joelhos a bater no queixo, sentados no cavalinho, a brigarem pela vez no carrossel das nomeações; vem, sobretudo, porque é só isto – já acabou.
O grande plano da direita para a cultura, aberto o livro, é uma lista telefónica: um rol de nomes, para substituir uns por outros mais próximos de nós, e espetar com o problema nas mãos deles. Eles que resolvam o problema de saber o que é uma política de direita na cultura, que a dos partidos de direita, quando pensam nela, é só esta: nomear pessoas de direita, na esperança de que elas tenham políticas de direita.
Note-se que o panorama é tão pobre, que até uma coisa que devia ser natural – parte-se do pressuposto de que o Garcia Pereira não vai ser ministro da Economia da IL, porque se conta com uma certa divergência de opiniões – é contestada e exige coragem. É contestada porque o mundo está........
