A Primeira Linha de Defesa
Os dados mais recentes sobre violência contra mulheres e jovens em Portugal não nos podem deixar tranquilos.
Senão, vejamos:
Segundo a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), em 2024, registaram-se 22 mortes em contexto de violência doméstica, das quais 19 foram mulheres. O Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA/UMAR) reportou que, até 15 de novembro de 2024, 25 mulheres foram assassinadas, sendo 20 casos classificados como femicídios (mortes relacionadas com violência de género), 16 dos quais em relações de intimidade. Além disso, houve 30 tentativas de femicídio no mesmo período, totalizando 50 atentados contra a vida de mulheres.
Dados da Polícia Judiciária (PJ) indicam que, entre janeiro e setembro de 2024, 344 mulheres foram vítimas de violação, o que equivale a cerca de 38 por mês. Nos primeiros três trimestres de 2024, foram registadas 521 violações, sendo 65% das vítimas mulheres.
A PSP e a GNR receberam 30.086 queixas de violência doméstica em 2024, uma ligeira redução (0,6%) face às 30.279 de 2023. As mulheres são as principais vítimas, com 2.854 acolhidas na Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica em 2024, acompanhadas por 2.685 crianças e 89 homens (total de 5.628 pessoas).
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) relatou um aumento de 2,7% no apoio a vítimas em 2024 (16.630 pessoas), sendo a maioria mulheres com cerca de 45 anos, agredidas maioritariamente por parceiros ou ex-parceiros.
Em 2024, a APAV apoiou 3.066 crianças e jovens vítimas de crime, uma média de quase 60 por semana, representando um aumento de 18,2% face a 2022. Os crimes de violência doméstica contra este grupo subiram de 2.914 em 2022 para 3.518 em 2023, enquanto os crimes sexuais aumentaram........
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