Ver a Segurança para além dos números
Esta semana assistimos à partilha preliminar dos dados da criminalidade, com destaque natural para o aumento ligeiro de 2.6% da criminalidade violenta e grave ( 363 crimes) por comparação ao ano anterior. Este é o segmento da criminalidade que mais contribui e alimenta o sentimento de insegurança das populações, tratando-se de crimes vividos pelas vítimas na primeira pessoa, e portanto, com um potencial danoso mais acentuado, com paralelo apenas no crime de violência doméstica, que apresenta as mesmas caraterísticas, embora não integrando o catálogo. Todavia, não é rigoroso que se façam interpretações ou se precipitem conclusões desgarradas de uma comparação e análise alargada que nos permita perceber (ou pelo menos tentar) se estamos a atravessar ou não um ciclo padronizado de evolução, i.e., de subida/decréscimo da criminalidade no que aos crimes mais graves diz respeito. Mas, para isso, e antes de chegar aí, importa recuar para perceber o contexto que vivemos, para agora interpretar o que estamos a vivemos e melhor antecipar o que iremos viver se continuarmos a trilhar o mesmo caminho e a adotar as mesmas políticas públicas de sempre na área da segurança.
Pois bem, se os dados de 2024 apontam para 14.385 crimes violentos e graves, lembrar que na primeira década do século, tivemos os três anos mais sombrios de sempre no acervo desta tipologia de crimes, com 24.534 crimes em 2006, 24.469 em 2004 e 24.317 em 2008, uma média de 24.440, mais de 10.000 crimes por comparação aos valores de 2024. E o ano de 2008 marca exatamente o momento de inversão, pontificando-se como o ano de partida para uns longos 10 anos de queda acentuada (talvez por isso se perceba o esquecimento ou a secundarização da discussão em torno da Segurança) da criminalidade violenta e grave, que terminaram no ano de 2018, o primeiro a baixar a fasquia dos 14.000 crimes (13.981), representando, pasme-se, uma queda acumulada de 43% (4.3%/ano). Não tenhamos a mínima dúvida que este resultado deve-se, em primeira e ampla mão, do trabalho excelso que as Polícias levaram a cabo, sendo ainda mais........
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