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Irão dá lições de estratégia, geoeconomia e diplomacia

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07.03.2026

A semana passada afirmei que era errada a ideia de que legalmente Portugal não tinha margem para autorizar ou recusar a utilização das Lajes pelos EUA para um ataque ao Irão. Felizmente isso foi corrigido, e veremos como a decisão tomada compara com outros países europeus. Antes disso vale a pena olhar para a guerra do Irão como uma lição prática de análise geoestratégia.

Chaves de uma boa análise geopolítica

Olhar para os factos, e fazê-lo à luz de padrões históricos. Olhar para a geografia. E, claro, não nos deixarmos influenciar por preferências ideológicas ou outras. E, claro, ignorar o coro mais vocal no espaço público, dos militantes fanáticos e dos autodesignados especialistas em especialistas. Em Portugal temos até o fenómeno bizarro – de que já Salazar se queixava – dos adeptos fanáticos de líderes externos, dos patriotas fervorosos de países estrangeiros. Outro fenómeno corrente, mais compreensível, mas não melhor conselheiro da boa análise geopolítico, é o comentário da política global como continuação da política nacional em paragens exóticas. Acertar sempre é impossível, infalível só Deus.

A melhor prática é, até por isso, falar em probabilidades (e não no sentido do rigor estatístico) e cenários. É reconhecer o papel da contingência, dos atores. As grandes certezas parecem sinal de uma análise muito segura, não o são. É verdade que arrisquei dar por certa a vitória de Putin nas últimas presidenciais russas, mas é o tipo de exceção que confirma a regra, com uma pseudo-eleição e sem real oposição. Por isso, sempre me recusei a dar por certo que Trump tinha desistido definitivamente de uma ação armada contra o Irão, apenas que – como ainda hoje, o próprio confirmou – não tinha interesse em apoiar a democratização do país.

Quando estamos a falar de conflitos armados estar atento aos meios é crucial. Sem armas não há guerras. Por isso fui chamando a atenção para quando os EUA começaram a concentrar c.50% dos seus aviões de combate no Golfo. Só tínhamos visto tantos meios militares nessa região em 1991 e 2003. Nunca os EUA tinham projetado meios militares nesta escala sem depois avançarem para um ataque. O facto de abundarem meios aero-navais mas não tropas terrestres também dava pista sobre o tipo de conflito. É o mesmo tipo de análise que fiz da concentração de quase 200.000 militares da Rússia na fronteira da Ucrânia, no início de 2022, e que me levou a escrever, semanas antes de se concretizar a massiva invasão russa, que esta era uma possibilidade muito séria, contrariando as certezas de muitos.

Tudo isto apontava para uma forte probabilidade de um ataque norte-americano e israelita. Mas era certo? Não era. A informação que temos confirma que até ao último minuto tudo esteve dependente das inclinações, sempre variáveis, de Donald Trump.

Outro elemento indispensável na análise deste tipo de conflitos é a geografia. Em particular a atenção aos chamados pontos de estrangulamento (“choke points”). Desde que Afonso de Albuquerque chegou a Ormuz, em 1507, e abriu as portas a um século de........

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