Do prado ao prato com escala em Ormuz
Dói na carteira, eu sei. Paramos no corredor dos laticínios ou em frente à vitrine do talho, olhamos para a etiqueta do preço e o suspiro de indignação é automático. A partir daí, o desporto nacional é previsível: culpa-se a ganância do retalhista, aponta-se o dedo ao intermediário e chora-se o agricultor. É uma narrativa reconfortante, mas intelectualmente preguiçosa. A verdade é que, por muito que aquele bife ostente um orgulhoso selo de “Produzido em Portugal”, o nosso prado verde e tranquilo fez, inevitavelmente, uma escala invisível no Estreito de Ormuz.
A Europa inebriou-se com a poesia da sua estratégia “Do Prado ao Prato”. Adoramos a imagem bucólica do agricultor de proximidade que nos entrega a comida imaculada à porta. Mas convém acordarmos para a realidade: a agricultura e a pecuária modernas, que nos garantem a maior segurança alimentar da História, não se fazem apenas com sol, chuva e boas intenções. Fazem-se com energia. Muita energia. E ignorar isto é não perceber ........
