Tempestades em série não são azar, são aviso
Portugal voltou a acordar sob a ameaça de uma sucessão de tempestades que já ninguém consegue considerar normais. Ingrid, Joseph, Kristin e outras depressões atlânticas formaram-se num intervalo de dias, cruzaram o Atlântico Norte com intensidade fora do habitual e atingiram o nosso território com ventos que chegaram aos 150 ou 160 km/h, chuva concentrada em poucas horas, cortes de energia, estradas fechadas, prejuízos avultados e vítimas mortais. É possível insistir na tese confortável de que “é inverno” e que “sempre foi assim”, mas essa explicação já não corresponde ao que a ciência descreve nem ao que a experiência coletiva confirma. O que estamos a viver deixou de ser um capítulo isolado de mau tempo, tornou-se um aviso explícito de que o clima que conhecemos está a mudar.
As razões são conhecidas. No Atlântico Norte sucederam-se ciclones profundos alimentados por um oceano mais quente, interagiram com uma corrente de jato mais ondulante e acabaram por seguir uma rota direta para a Península Ibérica. O anticiclone dos Açores, que tantas vezes desvia para norte estas massas de ar instáveis, apresentou-se deslocado e enfraquecido. A “barreira” que normalmente protege Portugal não funcionou, abriu-se um corredor de entrada de depressões sucessivas e o país ficou exposto sem a defesa sinótica com que tantas vezes contou.
Em simultâneo, o........
